O VERÃO COM BONS OLHOS

A exposição solar - sobretudo aos raios ultravioleta (UV) - afetam tanto a visão quanto a pele

Preparamo-nos para entrar num verão que dificilmente será esquecido. Vivemos uma pandemia com um enorme impacto individual e coletivo. A Covid-19 é causada por um vírus transmissível através das mucosas, nomeadamente as oculares, pelo que reforçamos as normas emitidas pelas entidades de saúde pública: evite tocar no rosto; proteja-se a si e aos outros usando máscara e viseira; lave as mãos com frequência; cumpra o distanciamento físico e evite locais com aglomeração de pessoas.

Os sintomas mais comuns da infeção pelo coronavírus incluem febre, tosse seca e cansaço. Há outros sintomas menos frequentes e ligeiros tais como dores musculares ou de garganta, perda de paladar ou olfato ou conjuntivite - olho vermelho, associado a desconforto e secreções oculares. As conjuntivites infecciosas transmitem-se pelo contacto direto ou indireto com o agente infeccioso pelo que, além da higiene das mãos e superfícies, não partilhe objetos de uso pessoal como toalhas e nunca use os colírios/pomadas de outras pessoas (além do risco de transmissão, podem não estar indicadas para o seu caso).

As pessoas com sintomas ligeiros e de outra forma saudáveis, devem recuperar em casa. Procure assistência médica se tiver sintomas graves, ligando sempre antes de se deslocar a uma instituição de saúde através da linha SNS24 ou em caso de urgência o 112.

O confinamento e stress a que estivemos sujeitos ultimamente aumentou o desejo de aproveitar o verão, passando mais tempo ao ar livre e ao sol na praia ou piscina. A exposição solar - sobretudo aos raios ultravioleta (UV) - afetam tanto a visão quanto a pele, porém a proteção dos olhos, infelizmente, ainda não está no centro das preocupações da maioria.

Os efeitos podem ser agudos (com alterações na superfície ocular) mas o risco principal é cumulativo, condicionando com o tempo o aparecimento e/ou agravamento de doenças como catarata ou degenerescência macular ligada à idade. Para proteger os seus olhos aconselhamos que:

  • evite a exposição solar entre as 11 e 16h;

  • nunca olhe diretamente para o sol (perigo de queimadura solar na retina);

  • utilize chapéus sobretudo de abas largas;

  • use sempre óculos de sol, mesmo que esteja à sombra.

Em crianças com menos de 6 meses de idade a melhor proteção é evitar completamente a exposição solar.

Certifique-se que as lentes dos seus óculos de sol asseguram filtragem da luz UV de 99 a 100% e opte por lentes/armações que envolvam e cubram os seus olhos o mais possível. Saiba que há várias opções como lentes polarizadas que diminuem a exposição à radiação refletida e um maior conforto nessas circunstâncias e lentes de cores diferentes (sendo que a cor não compromete diretamente a qualidade da proteção UV).

Atenção ao uso de lentes escuras sem a devida proteção, pois podem ter um efeito nocivo: provocam a dilatação da pupila, com ainda maior absorção dos raios UV.

A água da piscina e do mar pode causar irritação pela alteração do nosso filme lacrimal, uma barreira importante da superfície ocular. Os sintomas mais comuns incluem olho vermelho e sensação de areia, pelo que recomendamos o uso de colírios lubrificantes e óculos de natação. No caso de entrar areia para os olhos, lave com soro ou água e não esfregue e ensine o seu filho a não o fazer.

O próprio olho normalmente consegue libertar-se dos grãos mas caso não aconteça não tente tirar sozinho, procure um oftalmologista.

Os protetores solares também contêm diversas substâncias que podem causar irritação, especialmente na região dos olhos. Evite passar protetor nas pálpebras superiores. Lembre-se de aplicar o produto 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplicar a cada duas horas.

As altas temperaturas e baixa humidade, a exposição a vento ou ar condicionado a que estamos mais expostos no verão podem causar ou agravar um síndrome denominado olho seco. O uso de óculos de sol e de um bom lubrificante ocular melhoram os sintomas.

Atenção aos brinquedos das crianças: existem alguns tipos usados em piscinas ou praias que podem causar acidentes graves. Alguns são parecidos com “armas”, que espirram água.

Se o jato for muito forte, e atingir o olho da criança, pode levar a uma urgência médica.

Dr. Ricardo Dourado Leite, especialista da equipa de Oftalmologia Pediátrica da Iberoftal de Braga