Baixa Visão

A baixa visão é uma condição na qual a perda visual já não pode ser corrigida com tratamento médico ou cirúrgico ou pelos convencionais óculos

DEFINIÇÃO

A baixa visão é uma condição na qual a perda visual já não pode ser corrigida com tratamento médico ou cirúrgico ou pelos convencionais óculos.

A OMS, preocupada com a dificuldade de atribuição de apoios e subsídios, baseou-se num critério clínico para objetivar a definição de deficiência visual. Assim, um indivíduo pode ser considerado deficiente visual tendo em conta a avaliação da acuidade visual (AV) e/ou restrição do campo visual (CV).

A OMS define então baixa visão para uma AV entre 1/10 e 3/10 e/ou CV inferior ou igual aos 10 graus centrais.

Importa referir que baixa visão não é sinônimo de cegueira. Para efeitos médico-legais, em Portugal são considerados cegos legais os indivíduos cuja AV, após correção ótica, é inferior ou igual a 1/10 e/ou o CV inferior ou igual aos 20 graus centrais.

SINAIS / SINTOMAS

Depende da causa da baixa visão, mas começa geralmente por manifestar-se na dificuldade em executar tarefas do dia-a-dia (ler, conduzir, ver TV, ir às compras, cozinhar, reconhecer caras de amigos e familiares).

O nosso olho tem uma lente natural, o cristalino, que foca a luz na retina, o tecido sensível e responsivo a luz e que se localiza na parte posterior do olho. O nervo óptico conduz as imagens óticas até ao cérebro. O cérebro processa as imagens para aquilo que nós experiência-mos então como visão.

Perante isto, qualquer patologia ou lesão que afete desde a região mais anterior do globo ocular (córnea), passando pelas estruturas intra-oculares até à retina, nervo ótico e sistema nervoso central pode culminar numa baixa visão.

Neste sentido, a baixa visão pode afetar crianças e adultos.

CAUSAS

São diversas as causas e afetam os diferentes aspetos da nossa visão, em Portugal as causas mais comuns da baixa visão são:

  • DMI - afeta a visao central;

  • Glaucoma - afeta a visão periférica em primeiro lugar;

  • Retinopatia Diabetica - pode afetar tanto a visão central como a periferica;

  • AVC’s - podem afetar um dos lados da visão periférica;

A DMI, Glaucoma e RD podem ocorrer em qualquer idade, mas são mais comuns em pessoas mais velhas.

É importante notar que o envelhecimento normal do olho não conduz a baixa visão.

DIAGNÓSTICO

Passa por um exame oftalmológico completo, feito por um especialista.

TRATAMENTO

A baixa visão é uma condição complexa, mas felizmente existem formas de poder ajudar as pessoas que sofrem deste problema a readaptar-se e a ganhar uma nova autonomia. Trata-se de um processo de reabilitação em que se tenta ensinar o paciente a desenvolver novas estratégias para executar as tarefas do dia-a-dia, “rentabilizando” a sua visão residual. Isto é essencial para restaurar a sua confiança e independência.

Por exemplo, na DMI em que há afeção da visão central, o paciente pode ser instruído a utilizar a visão paracentral para ver objectos com mais clareza (se rodar a cabeça para um lado ou para o outro, por exemplo).

Existem ainda vários dispositivos e técnicas para ajudar os paciente na utilização do resíduo visual. Isto é feito, em primeira linha, numa consulta de baixa visão através de uma reabilitação ortotica integrada.

  • ajudas ópticas - lupas (manuais/portáteis ou eletrónicas)

  • outras estratégias mais rudimentares - aumentar a iluminação, aumentar o tamanho das letras impressas, reorganização do espaço, etiquetar/identificar medicação com marcadores fluorescentes;

  • novas tecnologias assistivas, como amplificadores electrónicos ou que utilizem o som (por exemplo, relógios, calculadoras e computadores que falam).

A deslocação poderá passar por pedir a um amigo ou familiar que nos conduza, chamar um táxi, partilhar um carro ou utilizar transportes públicos, dando também preferência a andar a pé.

É importante reconhecer a angústia e frustração de perceber que a perda visual é irreversível. Ter apoio para trabalhar estes sentimentos e aprender sobre as estratégias para a reabilitação visual ajudará na manutenção de uma vida ativa e na prevenção de quadros depressivos.

É possível viver bem com baixa visão mas não é possível viver bem com depressão. O aconselhamento e o suporte de grupos de apoio poderá ajudar no reconhecimento de que o valor do indivíduo não depende da sua visão.

Existem vários grupos de suporte, sendo de salientar a ACAPO (associação de cegos e amblíopes de Portugal).

A Dr.ª Cristina Sousa, oftalmologista da Iberoftal no CUF Porto Instituto, foi a convidada do programa Consultório do Porto Canal de dia 11 de Junho, onde falou sobre Baixa Visão. Pode assistir ao programa aqui

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