A visão em primeiro plano
A edição de Novembro da Revista +Vida, do Grupo José de Mello Saúde, aborda a rede nacional de cuidados de qualidade na área da saúde ocular que a CUF dispõe

O Dr. Fernando Vaz, coordenador das unidades CUF Porto, foi um dos especialistas que participou na reportagem, explicando como proteger os seus olhos das patologias mais comuns e como a CUF está preparada para responder aos novos desafios da saúde ocular.
É através dos olhos, as nossas “janelas para o mundo”, como é habitual chamá-los, que nos chega quase 80% da informação que recebemos do exterior. Não será, por isso, exagero se afirmarmos que a visão é um dos sentidos mais importantes para a nossa sobrevivência. Por este motivo, cuidar da nossa saúde ocular deve ser uma preocupação em todas as fases da vida. Esse cuidar passa não só por manter hábitos saudáveis, mas também por visitas regulares ao médico oftalmologista, principalmente se existirem antecedentes familiares de doenças oftálmicas ou outras patologias.
As crianças em idade pré-escolar devem fazem rastreios de saúde visual para despistar eventuais doenças em fases precoces. “Uma criança que vê mal não se vai queixar aos pais que vê mal se sempre viu assim. Se vê mal dos dois olhos, os pais provavelmente apercebem-se. Se só vê mal de um olho, não se vai queixar, nem os pais se apercebem”, diz Fernando Vaz, Coordenador de Oftalmologia no Instituto CUF Porto e no Hospital CUF Porto.
Disto resulta que, infelizmente, caso não existam fatores de risco, “a criança pode estar anos sem ser vista” por um médico oftalmologista. Mais tarde, na fase adulta, especialmente a partir dos 40 anos, as pessoas voltam a estar mais atentas, ou pelo menos deveriam “porque há outro tipo de patologias, nomeadamente o glaucoma, que podem aparecer”, explica Fernando Vaz. “Convém, por isso, ter consultas com alguma periodicidade.”
As patologias associadas à idade (como o glaucoma, a retinopatia diabética e a degenerescência macular da idade) são aquelas que mais atenção requerem atualmente dos especialistas de saúde ocular. “As pessoas duram mais tempo, logo a prevalência das doenças também aumenta”, refere Eduardo Fernandes, Coordenador de Oftalmologia no Hospital CUF Infante Santo, em Lisboa. “Há quatro anos tinha dois doentes com mais de 70 anos. Hoje, tenho 15.” Ainda de acordo com Eduardo Fernandes, “o olho é um órgão diferente de todos os outros órgãos”. Mas, embora seja mais resistente do que se possa imaginar, vai perdendo elasticidade ao longo do tempo.
Esse é um problema que, na maior parte das vezes, “não é ultrapassável”. “O doente considera que, colocando lentes, o problema está resolvido. Mas há lesões no olho, da própria estrutura, que não são tratáveis”, refere.
Controlar os fatores de risco
É importante ter em conta o impacto que algumas doenças, como a diabetes, têm na saúde ocular.
Mais de um milhão de portugueses são diabéticos e cerca de dois milhões são pré-diabéticos. Os estudos indicam que 13,3% da população do nosso país entre os 20 e os 79 anos tem diabetes diagnosticada, enquanto 44% desconhece ser
portadora da doença.
Uma das principais complicações provocadas pela diabetes é precisamente ao nível da retina, a parte do olho responsável pela formação das imagens. A retinopatia diabética pode provocar perda de visão ou mesmo cegueira, o que faz da diabetes a principal causa mundial da cegueira evitável. Dados publicados em 2015 pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia indicam que pelo menos 25 mil pessoas têm perda de visão e que 23 mil estão cegas por causa da diabetes.
A doença atinge tanto doentes com diabetes de tipo 1 como de tipo 2, embora se manifeste mais cedo nos primeiros. Pode também surgir e progredir de forma muito rápida nas mulheres grávidas que desenvolvam diabetes gestacional.
A diabetes pode ainda ser responsável pelo aparecimento de cataratas oculares. Estima-se que, em Portugal, esta doença atinge cerca de 170 mil pessoas, a maioria das quais com mais de 60 anos. Fernando Vaz lembra que, muitas vezes, os primeiros sintomas da diabetes manifestam-se nos olhos.
Aconselha, por isso, a realização de uma retinografia anual.
Proteja os seus olhos
Atualmente, o principal motivo das consultas na área da oftalmologia é a secura ocular.
“As pessoas chegam-nos com queixas de ardor, comichão, sensação de secura, outras com lacrimejo”, diz José Pita Negrão.
Na origem estão, sobretudo, os ares condicionados, que secam o ambiente, e as luzes azuis emitidas pelos ecrãs digitais, que ferem os olhos.
De modo a reduzir as consequências negativas do uso excessivo dos dispositivos eletrónicos (smartphones, tablets, televisores, computadores) devem ser adotados alguns hábitos saudáveis, como regular a iluminação e o brilho do ecrã, manter uma distância de visualização adequada, aumentar o tamanho da letra sempre que possível e colocar o ecrã à altura do rosto.
É aconselhável ainda a fazer pausas regulares, pestanejar muito
e não ter luz direta sobre o ecrã, sobretudo para evitar a síndrome do olho seco.
Fernando Vaz refere que há também cada vez mais casos de miopia – e em idades muito jovens.
“Isso decorre com frequência de usarmos a visão de perto. Quando estamos a usar muito a visão de perto, o olho adapta-se às circunstâncias e desenvolve a miopia”, explica o médico.
A miopia é mesmo o erro refrativo mais comum.
“O impacto desse erro refrativo é que as pessoas veem mal ao longe. Pelo contrário, ao perto até veem bem demais”, acrescenta Fernando Vaz.
Aposta na inovação
Atenta aos novos desafios que se colocam diariamente, a CUF aposta cada vez mais num corpo clínico especializado nas diversas áreas da oftalmologia, com cerca de 200 médicos em todo o país, bem como nos mais modernos equipamentos e tecnologias disponíveis no mercado. A conjugação destes fatores torna os diagnósticos e os tratamentos muito mais rápidos. Em muitas situações, como nos casos de descolamento da retina, o doente tem alta no próprio dia da cirurgia, assegura o Coordenador de Oftalmologia no Hospital
CUF Descobertas.
Tanto José Pita Negrão como Fernando Vaz sublinham a importância de cada profissional ter um conhecimento aprofundado sobre determinadas doenças oculares e não se limitar a ser apenas um “bom clínico geral do olho”. “Temos várias subespecialidades e muito bem definidas.
Um oftalmologista, para ser verdadeiramente competente, não consegue ser bom a tudo”, diz o Coordenador de Oftalmologia no Instituto CUF Porto e no Hospital CUF Porto, para quem um dos “segredos” do sucesso desta unidade é o facto de os doentes serem encaminhados para os melhores especialistas em cada uma das patologias oftálmicas.
Também ao nível dos tratamentos disponibilizados pela rede CUF, há uma atualização constante para ir ao encontro das necessidades dos doentes. Até porque, como refere Eduardo Fernandes, “a oftalmologia é uma especialidade muito tecnológica” e a tecnologia “traz mais segurança, mais eficácia, mais conforto e melhores resultados”.
Tecnologia com os olhos no futuro
Fernando Vaz destaca a vasta oferta de equipamentos disponíveis para o diagnóstico e o tratamento do olho seco, uma das queixas mais frequentes nos dias de hoje, como aqueles que utiliza no Instituto CUF Porto e no Hospital CUF
Porto.
Ou os aparelhos que permitem “ter imagens quase das células da retina”, importantíssimos para os casos de retinopatia diabética ou de degenerescência macular da idade.
Ao nível da cirurgia para correção de erros refrativos, os médicos salientam o papel do LASIK.
Este laser excimer permite, por exemplo, “polir a córnea, tornando-a mais fina e aumentando a sua potência”, explica Fernando Vaz.
Nos casos em que é necessária a colocação de uma lente intraocular, a intervenção humana é reduzida ao mínimo.
“Hoje dispomos de tecnologia que nos indica, durante a cirurgia, a exata posição em que uma lente intraocular, com correção de astigmatismo, deve ficar”, exemplifica.